Os golpes pelo celular mudaram de forma, mas seguem a mesma lógica: criar urgência, usar o nome de alguém de confiança e levar a vítima a fazer um Pix, passar um código ou instalar um aplicativo. Conhecer os roteiros mais usados é a melhor defesa. E, se o golpe já aconteceu, agir rápido aumenta muito a chance de recuperar o dinheiro.

1. Golpe do falso advogado

O criminoso consulta processos públicos, descobre o nome do cliente, do advogado e até o número da ação. Depois manda mensagem pelo WhatsApp, com a foto e o nome do advogado, dizendo que o processo foi ganho e que é preciso pagar uma "taxa", "custas" ou "imposto" para liberar o dinheiro.

Como se proteger:

  • Valores de processos são liberados por alvará ou transferência judicial. Não existe taxa paga por Pix para liberar dinheiro de processo.
  • Desconfie de número novo, mesmo com a foto do seu advogado. Ligue para o número que você já conhece ou vá ao escritório.
  • Confirme a identidade do advogado na plataforma ConfirmADV, da OAB.

2. Golpe do falso parente ou amigo

Chega uma mensagem de um número desconhecido: "Oi, mãe, troquei de número, salva esse". Pouco depois vem o pedido de dinheiro para uma conta urgente, quase sempre em nome de outra pessoa.

Como se proteger: ligue para o número antigo ou faça uma pergunta que só a pessoa saberia responder. Nunca faça Pix para conta de terceiro sem falar por voz com quem está pedindo.

3. Clonagem do WhatsApp

O golpista se passa por empresa, loja ou serviço de entrega e pede o código de seis dígitos enviado por SMS. Com ele, assume a sua conta e passa a pedir dinheiro aos seus contatos.

Como se proteger: nunca informe esse código a ninguém e ative a verificação em duas etapas do WhatsApp (Configurações › Conta › Confirmação em duas etapas).

4. Falsa central do banco e "mão fantasma"

Alguém liga dizendo ser do banco e avisando sobre uma compra suspeita. Para "cancelar", pede senha, código, transferência para uma "conta segura" ou que você instale um aplicativo. Esse aplicativo dá ao criminoso o controle do celular, e as transações são feitas sem que a vítima perceba. É a chamada "mão fantasma".

Como se proteger: o banco não pede senha, não pede para transferir dinheiro e não pede para instalar aplicativo de acesso remoto. Desligue e ligue você mesmo para o número do cartão ou do aplicativo oficial.

5. Falsas vendas e lojas falsas

Perfis e sites anunciam produtos muito abaixo do preço, com pagamento só por Pix. O produto nunca chega.

Como se proteger: desconfie de preço bom demais, pesquise o CNPJ e a reputação da loja, prefira cartão de crédito e plataformas com intermediação de pagamento.

6. Boleto falso

O boleto chega por e-mail ou mensagem com a aparência da empresa verdadeira, mas o dinheiro vai para outra conta.

Como se proteger: antes de pagar, confira se o nome do beneficiário e o CNPJ que aparecem no aplicativo do banco correspondem à empresa. Na dúvida, emita a segunda via pelo site ou aplicativo oficial.

7. Golpes com o nome do INSS e de órgãos públicos

Mensagens e ligações oferecem "revisão de aposentadoria", "devolução de descontos" ou "benefício liberado" mediante pagamento antecipado ou envio de documentos e selfies. Também há cobranças falsas em nome de tribunais e da Receita Federal.

Como se proteger: o INSS e os órgãos públicos não cobram taxa para liberar benefícios ou valores. Confira tudo pelos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS e o site do órgão.

8. Falso investimento e falso emprego

Promessas de lucro alto e rápido, ou de "renda extra" para curtir vídeos e avaliar produtos. No começo pagam pequenos valores para ganhar confiança; depois pedem depósitos cada vez maiores.

Como se proteger: rentabilidade garantida e muito acima do mercado é sinal de golpe. Ninguém paga para você trabalhar e, ao mesmo tempo, pede depósito para liberar o pagamento.

Caí em um golpe. O que fazer?

1. Avise o banco imediatamente. Se o pagamento foi por Pix, use o botão de contestação no aplicativo do seu banco. Desde fevereiro de 2026, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) permite rastrear o dinheiro mesmo depois de transferido para outras contas, e o valor pode ser bloqueado enquanto o caso é analisado. Quanto antes a contestação, maior a chance de recuperação.

2. Registre boletim de ocorrência. Em São Paulo, pode ser feito pela Delegacia Eletrônica. Guarde prints das conversas, comprovantes, números de telefone e chaves Pix usadas pelo golpista. A fraude eletrônica é crime previsto no art. 171, § 2º-A, do Código Penal.

3. Troque senhas e proteja suas contas. Se o celular foi invadido ou o WhatsApp clonado, avise seus contatos, recupere a conta e ative a verificação em duas etapas.

4. Avalie a responsabilidade do banco e das plataformas. Os bancos respondem pelos danos causados por fraudes ligadas às suas operações (Súmula 479 do STJ), especialmente quando deixam passar transações fora do perfil do cliente ou falham nos mecanismos de segurança. Cada caso depende de como o golpe aconteceu e da conduta da vítima e da instituição, por isso a análise dos documentos é essencial.

Atenção ao golpe com o nome deste escritório

Não pedimos Pix, depósito ou pagamento de taxas para liberar valores de processos. Em caso de dúvida, confirme pelos nossos canais oficiais: telefone e WhatsApp (17) 99156-4075 e e-mail [email protected].